Ganesha

By admin / novembro, 1, 2011 / 0 comments

Ganesha é uma divindade popular. É o destruidor dos obstáculos ao desenvolvimento espiritual e material, possibilitando aos seus devotos alcançar as riquezas e assegurando o êxito em todos os empreendimentos. Ganesha possui duas esposas, uma chamada Siddhi (êxito, forca mística, poder) e a outra Buddhi (intuição, intelecto, discernimento), filhas de Vishvarupa (senhor dos mundos), que ajudam a proteger o conhecimento, as escrituras sagradas e a educação.

Em relação ao surgimento de Ganesha, existem varias versões, mas a mais comum é dita dessa forma: Shiva ausentava-se com frequência de casa para se retirar no monte Kailasa e fazer suas meditações. Nessa ocasião Parvati se sentindo solitária, criou de sua própria matéria um ser, dando lhe vida como seu filho, tornando-se seu guardião particular.

Parvati ordenou ao menino que se guarda a porta de entrada do palácio enquanto ela se banhava e não queria ser incomodada de forma alguma. O menino super fiel a ordem da mãe permaneceu em frente ao palácio tomando conta da entrada. Shiva retornando depois de longo tempo de meditação quis entrar no palácio. Porem o menino impediu sua passagem.

Nenhum argumento foi suficiente para que ele mudasse sua atitude de obediência incondicional a Parvati. Seguiu uma luta entre o exército de Shiva e o menino, o qual lutou bravamente contra todos os guerreiros de Shiva. Vendo que o menino estava preste a derrotar seu exército, Shiva pegou seu trisula(tridente) e cortou a cabeça do menino.

Parvati, ao ver seu filho morto, ameaçou desabar o mundo com sua ira, explicando que aquele menino era seu filho. Shiva pedindo perdão a ela se prontificou a dar nova vida aquele ser e ordenou ao seu exercito que fosse em direção ao norte e trouxesse a cabeça do primeiro ser vivo que encontrassem no caminho. Seu exercito então, trouxe uma cabeça de um jovem elefante.

Shiva ao colocar a cabeça do elefante no menino quebrou uma das presas. Shiva reconheceu-o como seu filho dando o nome de GANESHA (Gana = exército, povos celestiais) e Isha (senhor). Shiva também deu autoridade a Ganesha conferindo-lhe a responsabilidade de tomar conta do Deva Yana (caminho dos deuses) e Priti Yana (caminho dos antepassados).

Deva Yana é o caminho que leva ao domínio dos deuses e ao Absoluto Brahman, do qual não há retorno, também chamado de “caminho do Sol”. Priti Yana é o caminho que leva ao mundo dos antepassados e, de lá, a um retorno ao mundo humano em novo renascimento, também chamado de “caminho da Lua”.

Shiva ordenou que desse momento em diante que ele fosse sempre venerado antes de qualquer outro deus, antes de qualquer cerimônia, rito ou ritual.

A simbologia por trás do mito de Ganesha é representado da seguinte forma:

Seu corpo físico é criado por Parvati, símbolo da matéria perecível, ou seja, é humano.

Mostra também que ele não foi capaz de reconhece o pai (Shiva, a Realidade Suprema). Quando Parvati solicita sua proteção ele a obedece incondicionalmente, cuidando da matéria e apegando-se a ela. Quando Shiva chega, não o reconhece, luta contra ele, pois não quer perder sua individualidade, mas luta com bravura, quer cumprir seu dharma (dever).

Shiva, como pai, admira sua coragem mas, não podendo deixá-lo vencer, corta sua cabeça (o ego, a mente, a arrogância). Assim, Shiva mostra que a perda da individualidade e’ o ganho do Absoluto.

Sua enorme cabeça representa a capacidade de se assimilar e analisar o conhecimento. O sábio nunca esquece sua verdadeira natureza (memória de elefante). E suas orelhas enormes representam o atributo da sabedoria de ouvir atentamente e em silêncio; esses são os dois primeiros passos para a auto-realização, Svaranam (escutar os ensinamentos) e Mananam (refletir sobre eles) sendo representados por sua cabeça e suas orelhas grandes.

A tromba representa viveka (capacidade de discriminação, que sempre desponta da sabedoria). Com sua capacidade de discriminar entre o grosseiro (arrancando árvores, e tudo mais que apareça no seu caminho) e o sutil (pegando uma fruta ou uma flor do alto de uma árvore sem danificá-la).

Seu olhar meigo e doce representa o atributo de saber ver as coisas com serenidade e paciência.

A presa quebrada representa o conhecimento da imperfeição e o fato de já haver superado a dualidade ou a luta dos opostos (frio-calor, prazer-dor, alegria-tristeza), tendo atingido um estado de equanimidade.
A barriga enorme (lambo dhara) representa a capacidade de engolir, digerir e assimilar todos os obstáculos, assim como os ensinamentos, transformando-os em conhecimento vivo. É conhecido como o “removedor dos obstáculos”, pois leva em sua barriga o conhecimento e os obstáculos.

O rato que aparece aos seus pés representa o desejo com sua voracidade, cobiça e descontrole. Rouba mais do que se pode comer e estoca mais do que se pode guardar. O sábio tem total controle dos desejos, por isso o rato olha para cima e aguarda sua permissão para “comer” os objetos dos sentidos. Representa também o seu veiculo, isto é, o sábio tentando passar sua Sabedoria Infinita através de seus equipamentos finitos (corpo e mente).

Os quatros braços com as quatro mãos e o conteúdo de cada uma delas, podem ser descritos da seguinte forma:

Numa delas carrega um laço, que representa o amor por meio do qual Ganesha conduz a mente e o coração dos seus devotos à sabedoria real;
Na outra, carrega um machado, que representa a possibilidade de se cortar todos os obstáculos do caminho dos devotos;
Numa terceira, há o mudra da paz e do equilíbrio interior com o qual protege e abençoa eternamente seus fieis;
Na quarta, há um prato de doces de amrita, que representa a alegria e o contentamento interior que se obtém através do conhecimento supremo.
Na imagem do Deus-elefante, a chave para o conhecimento

GANESHA é o Deus do Conhecimento e o Senhor dos Obstáculos do mundo material. Ele é tradicionalmente invocado antes de qualquer empreendimento, pois é o protetor de tudo o que possa ser considerado auspicioso.

GANESHA representa o Homem em Plenitude-e os meios da realização desta plenitude.

Sua figura encerra um significado profundo, que para ser efetivo necessita ser desdobrado.

Assim, grande e soberana cabeça de elefante – imensa para um corpo humano – indica sua capacidade intelectual e a firme dedicação ao estudo das Escrituras. As grandes orelhas indicam que este Conhecimento é para ser escutado de um Mestre. A presença do Guru é fundamental e escutar é o mais importante.

A tromba de Ganesha indica a perfeição desta capacidade discriminativa – Vivekashakti -, pois com ela o elefante tanto colhe uma flor, como derruba e carrega consigo uma árvore.

De forma semelhante, o Sábio lida com questões grandes e pequenas, mundanas, espituais ou íntimas com a mesma versatilidade e destreza.
Ganesha tem na fronte um vibhuti (cinzas sagradas usadas pelo Senhor Shiva e seus seguidores. Representa a qeuima da ignorância pela visão da verdade, através do terceiro olho, o Olho do Conhecimento e da Aniquilação.) e um pequeno tridente. Ele é o primeiro filho de Shiva – o Senhor da Disciplina e da Aniquilação da ignorância – e de sua esposa Parvati – a Deusa da Matéria. O sábio tem “sempre em mente” o Ser Supremo, a sua verdadeira natureza.

Usualmente representado por quatro braços, Ganesha carrega em sua mão superior direita uma machadinha, e na superior esquerda um laço. Com a machadinha, Ishvara – na forma de Vigneshvara, o senhor dos obstáculos (um dos nomes de Ganesha) – decepa os apegos aos objetos como fontes de felicidade. Com o laço, Ele prende a atenção de seus devotos na Verdade, a Realidade Infinita que é a Sua própria natureza.
A outra mão direita abençoa com prosperidade e destemor.

Frequentemente, encontramos nesta mão um japamala (rosário ), mostrando claramente que esta prosperidade esta na forma de japa – a disciplina da repição de um mantra ou nome divino -. Por último, a mão esquerda inferior ofereçe modaka, um doce de leite e arroz que representa a satisfação, a plenitude advinda deste caminho de disciplina e poesia que é o Autoconhecimento.

Sua presa quebrada, em contraste com a inteira, nos ensina que devemos ficar além da dualidade, pois aí reside o conflito da alma condicionada.
Todos os deuses indianos têm sua vahana (montaria), e a de Ganesha é um rato. Esse animal simboliza a voracidade da mente desejosa do imediatismo material, sem ligar para as consequências de seus caprichos. Na qualidade de senhor dos sentidos, Ganesha tem seu total controle.

Quem for a Índia vera que em quase todas as lojas existe um pequeno altar com a imagem de Ganesha. Por ter a conotação de remover os obstáculos, os comerciantes o cultuam. Porém, o objetivo mais sublime é o de remover a ignorância que nos ata a uma consciência mesquinha.

Ganesha também pode aparecer segurando uma flor de lótus, que nasce no pântano, porém nunca é suja por este, representando assim a pureza do espírito. E sua mão em gesto de abhaya mudra, ou seja, o gesto daquele que nada teme. O que poderia causar medo ao sábio, já que ele sabe que deus está no controle de tudo?

Ganesha no Budismo

No mês de setembro, comemora-se o mês de Ganesha, que muitos budistas chamam de MAHAKALA, “O Grande Tempo”. Em muitos templos budistas do Nepal, Ganesha em sua forma hindu, como é amplamente conhecida, está na porta, guardando a entrada, tomando conta. Isto quer dizer que Ganesha é uma das divindades protetoras, guardiâes do Darma, a doutrina budista, e protégé os praticantes e devotos.
Algumas vezes, ele aparece com oito braços, o nobre caminho óctuplo:

1- palavra correta 2- ação correta.
3- meio devida correto. 4- esforço correto.
5- plena atenção correta. 6- concentração correta.
7- pensamento correto. 8- compreensão correta.

Em alguns casos, é visto até com dez braços, as direções do universo, ou seja, os quatros pontos cardeais – norte, sul, leste, oeste; os quatros pontos colaterais – nordeste, noroeste, sudeste, sudoeste e os dois pontos místicos: o Nadir e o Zênite – o centro da terra, a partir do chão que pisamos, e o alto da cabeça representando o infinito. Isto quer dizer que este Deva nos protege em todas as estas direções.
Ganesha também é visto como Ganapati (no budismo), a divindade protetora das escrituras, da sabedoria, da força mistíca, da profundidade e do discernimento. Em algumas regiões, é conhecido como Heramba e possui cincocabeças de elefante, são o que os textos canônicos denominam de cinco skandas:

O corpo.
As sensações.
As percepções.
As formações mentais.
A consciência.
“Em muitos sutras – os textos sagrados do budismo – o Buda era visto como “O Grande Elefante”

“O Sábio Elefante”. Diz à lenda que a mãe do Buda sonhou com um elefante branco entrando em seu ventre. Logo depois ela estava grávida de Sidarta, que veio a ser conhecido como “o Buda”. Observe as imagens do Buda, ele tem uma orelha proeminente grande, comprida; são o símbolo da paciência, de ouvir bem, com carinho e atenção os outros, o respeito para com o próximo.

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